Pelo retrovisor enxergamos tudo ao contrário Letras, lados, lestes O relógio de pulso pula de uma mão para outra e na verdade... ] [ nada muda A criança que me pediu dez centavos é um homem de idade ] [ no meu retrovisor A menina debruçando favores toda suja É mãe de filhos que não conhece Vendeu-os por açúcar Prendas de quermesse A placa do carro da frente se inverte quando passo por ele E nesse tráfego acelero o que posso Acho que não ultrapasso e quando o faço nem noto O farol fecha... Outras flores e carros surgem em meu retrovisor Retrovisor é passado É de vez em quando... do meu lado Nunca é na frente É o segundo mais tarde... próximo... seguinte É o que passou e muitas vezes ninguém viu Retrovisor nos mostra o que ficou; o que partiu O que agora só ficou no pensamento Retrovisor é mesmice em dia de trânsito lento Retrovisor mostra meus olhos com lembranças mal resolvidas Mostra as ruas que escolhi... calçadas e avenidas Deixa explícito que se vou pra frente Coisas ficam para trás A gente só nunca sabe... que coisas são essas
Meu caro amigo me perdoe, por favor. Se eu não lhe faço uma visita. Mas como agora apareceu um portador. Mando notícias nessa fita.
Aqui na terra tão jogando futebol. Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll. Uns dias chove, noutros dias bate sol. Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta. Muita mutreta pra levar a situação. Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça. E a gente vai tomando, que também sem a cachaça. Ninguém segura esse rojão.
Meu caro amigo eu não pretendo provocar. Nem atiçar suas saudades. Mas acontece que não posso me furtar. A lhe contar as novidades.
Aqui na terra tão jogando futebol. Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll. Uns dias chove, noutros dias bate sol. Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta. É pirueta pra cavar o ganha-pão. Que a gente vai cavando só de birra, só de sarro. E a gente vai fumando que, também, sem um cigarro. Ninguém segura esse rojão.
Meu caro amigo eu quis até telefonar. Mas a tarifa não tem graça. Eu ando aflito pra fazer você ficar. A par de tudo que se passa.
Aqui na terra tão jogando futebol. Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll. Uns dias chove, noutros dias bate sol. Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta. Muita careta pra engolir a transação. E a gente tá engolindo cada sapo no caminho. E a gente vai se amando que, também, sem um carinho. Ninguém segura esse rojão.
Meu caro amigo eu bem queria lhe escrever. Mas o correio andou arisco. Se me permitem, vou tentar lhe remeter. Notícias frescas nesse disco.
Aqui na terra tão jogando futebol. Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll. Uns dias chove, noutros dias bate sol. Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta. A Marieta manda um beijo para os seus. Um beijo na família, na Cecília e nas crianças. O Francis aproveita pra também mandar lembranças. A todo o pessoal. Adeus."
Um comentário:
Amém
O Teatro Mágico
Fernando Anitelli
Pelo retrovisor enxergamos tudo ao contrário
Letras, lados, lestes
O relógio de pulso pula de uma mão para outra e na verdade... ]
[ nada muda
A criança que me pediu dez centavos é um homem de idade ]
[ no meu retrovisor
A menina debruçando favores toda suja
É mãe de filhos que não conhece
Vendeu-os por açúcar
Prendas de quermesse
A placa do carro da frente se inverte quando passo por ele
E nesse tráfego acelero o que posso
Acho que não ultrapasso e quando o faço nem noto
O farol fecha...
Outras flores e carros surgem em meu retrovisor
Retrovisor é passado
É de vez em quando... do meu lado
Nunca é na frente
É o segundo mais tarde... próximo... seguinte
É o que passou e muitas vezes ninguém viu
Retrovisor nos mostra o que ficou; o que partiu
O que agora só ficou no pensamento
Retrovisor é mesmice em dia de trânsito lento
Retrovisor mostra meus olhos com lembranças mal resolvidas
Mostra as ruas que escolhi... calçadas e avenidas
Deixa explícito que se vou pra frente
Coisas ficam para trás
A gente só nunca sabe... que coisas são essas
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